Governo Municipal

Gentileza

FITA

 

Enquanto a paixão chora suas mágoas
E a esperança desbota sua cor
A gentileza abre suas pétalas…
Em mesuras de amor.
A gentileza é como o sopro de um vento…
De morno afago… Agasalhador
Ou seria rumo de brisa…
Num longo sonho de amor?
Disse o poeta, que o ser humano,
Humanamente gentil,
Com a gentileza abriu portas
E só o coração foi quem viu.
Gentileza; magia efêmera…
Volátil… Eterna…
Pois quem a recebe não a esquece…
Jamais!
Posto que fique um encanto pelos cantos da gente,
Dissipando todos os ais.
Ah gentileza… Gentileza…
Queria dar-te capa e cetro
E coroar-te como o maior dos afetos,
Mas o amor falou-me mais alto
Dizendo ser ele mais forte e esperto.
Confundiu-me, com certeza, o pensar,
Mas creio que amor sem gentileza
Digo logo, pra terminar…
É como a corredeira de um rio…
Sem os caminhos pro mar.

– Liza Manhães –

——————————————————————————————–

Entre em contato. Mande sugestões, críticas e, é claro, a sua crônica para aparecer aqui.

[contact-form-7 404 "Not Found"]

Velhos casarões

FITA

Testemunhas de épocas remotas,
de histórias seculares…
Trazem, ainda que decadentes,
Impregnado em suas velhas e carcomidas paredes
O perfume característico de elegância antiga.
Solares que abrigam no seio
a trajetória de nobres famílias
De brasões a ilustres sobrenomes
Que se perderam, muitos, nas dobras do tempo…
Hoje, o que lhes ficou de tanta majestade?
Como estão seus assoalhos lustrosos,
Espelhos decorados e cortinas adamascadas?
Para onde foram as formosas jovens
Que, de suas românticas sacadas,
Ouviam serestas e declarações de infinito amor?
Para onde foram as luzes dos lampiões a gás
Que lhes emprestavam um brilho especial?
Uns jazem, agora, sem esplendor,
Ofuscados, em modernas avenidas,
Por grotescos edifícios de vidros coloridos
Sem o menor pudor;
Outros ganham novas roupagens,
Vã tentativa de ressuscitar uma vida glamorosa
Que não retornará jamais…
Pobres ilustres casarões!
Quão glorioso o seu passado…
Que lhes resta, hoje, senão performance um tanto inglória:
A de serem clicados por levianas câmeras de turistas???!!!

 

– Leilda Magalhães Pereira Leone –

——————————————————————————————–

Entre em contato. Mande sugestões, críticas e, é claro, a sua crônica para aparecer aqui.

[contact-form-7 404 "Not Found"]

Crônica

Nelson Mandela

– Hélio Bruma –

CelularesNada há de mais notável e mais produtivo do que uma parada no tempo, quando a razão é superior. Nós podemos fazê-lo, para uma reflexão importante, numa homenagem a um ser humano diferenciado.

“Quando um homem fez o seu dever, pode descansar em paz. Acredito ter feito esse esforço, e, por isso, dormirei pela eternidade.”

“Para ser livre não basta abandonar as correntes, mas viver de uma forma que respeite e aumente a liberdade dos outros.”

“Se eu tivesse meu tempo mais uma vez, faria tudo de novo. Assim como qualquer homem que ousa chamar a si mesmo de homem.”

“Eu não tinha nenhuma crença específica, a não ser a de que nossa causa era justa e estava conseguindo mais apoio.”

“Eu jamais considerei um homem como meu superior, seja na minha vida pessoal ou dentro da prisão.”

“Depois de escalar uma grande montanha, um ser humano só descobre que há muito mais grandes montanhas para escalar.”

“Um país não deve ser julgado pela maneira como trata seus cidadãos de escalões mais altos, mas por como trata os de escalões mais baixos.”

“Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável.”

“O que conta na vida não é o simples fato de vivermos. A diferença que fazemos na vida dos outros determina a importância da vida que levamos.”

“Dificuldades derrubam uns, mas erguem outros. Nenhum machado é afiado a ponto de cortar a alma de um pecador que não desiste.”

“Descobri que não podia desfrutar as liberdades medíovres e limitadas que me davam quando eu sabia que o meu povo não estava livre.”

“Discursos longos e descolados das condições objetivas não levam a ações de massa e podem prejudicar a organização e a luta.”

“Percorri aquela longa estrada até a liberdade. Tentei não esmorecer; dei passos em falso pelo caminho.”

“Mais poderoso do que o meu medo das condições na prisão é o meu ódio pelas condições às quais o meu povo está sujeito fora da prisão.”

“Se 27 anos preso nos ensinaram algo, foi a usar o silêncio da solidão para nos fazer entender o quão preciosas são as palavras.”

“Detesto o racismo porque considero uma coisa bárbara, venha de um negro ou de um branco.”

“Sempre permanecerá como uma mancha inapagável na História da Humanidade o fato de que o crime do apartheid aconteceu.”

——————————————————————————————–

Entre em contato. Mande sugestões, críticas e, é claro, a sua crônica para aparecer aqui.

[contact-form-7 404 "Not Found"]

Apontamentos de Literatura

CelularesEspiritualidade
Guimarães Rosa escreveu, em Tutaméia: “não confunda sorvete com Nirvana”. Essa frase (cito-a de memória) me vem à mente toda vez que ouço alguém se declarar “espiritualizado”, com um orgulho mal contido pela própria espiritualidade. Os espiritualizados estão por toda parte. É um verdadeiro suplício. Ligo a televisão e está lá a celebridade se dizendo espiritualizada, em plena vulgaridade de programa de auditório, com roupas de grife, a profundidade intelectual de uma poça e um verniz de penitência no rostinho ao pronunciar a palavra-fetiche. Não tenho prazer em botar água no incenso de ninguém, mas tenho um compromisso com a interpretação da realidade, então lá vou eu tentar mostrar que zen-budismo não é a mesma coisa que zé bundismo. (Francisco Bosco)

*****************************