Governo Municipal

História do Município

Os índios Puri, também chamados Coroados, foram os primeiros habitantes naturais dessa região. Por volta dos Séculos XVII e XVIII começou a surgir o povoamento da área de Rio Claro e São João Marcos.

A colonização se iniciou quando foram procurados caminhos pelas serras até Minas Gerais, através do Rio Paraíba. Paraíba – que na línguas dos índios significava “rio ruim para navegação”. Os índios que habitavam a divisa dessas terras com Minas Gerais ofereciam bastante resistência à entrada desses colonizadores. Muitas batalhas foram travadas pelos bandeirantes, nas suas entradas para abertura de novas trilhas que servissem ao escoamento do ouro de Minas para o porto do Rio de Janeiro.

Nos caminhos desbravados pelos colonizadores foram se formando todo tipo de povoamentos, com estalagens para a pousada dos viajantes, ranchos, roças e pequenos locais que subsistiam com suas casas de comércio.

Grandes fazendas foram também sendo criadas e um tráfego de tropeiros foi-se intensificando e se tornando um negócio de proporções significativas. Os tropeiros utilizavam trilhas que eram provavelmente caminhos abertos pelos índios.

Eram passagens utilizadas por homens e animais, difíceis de serem utilizadas mesmo por carroças. Ficavam em péssimo estado durante o período de chuvas. As pessoas e cargas atravessam os rios em canoa, e os animais, a nado. No entanto, o tráfego era bastante intenso, sobretudo na época da descoberta do ouro em Minas Gerais e, segundo consta, bastante organizado. Esses caminhos se tornaram uma alternativa mais segura do que o transporte feito por via marítima, já que os ataques piratas ocorriam, na zona costeira, durante todo o período da colonização.

Foi uma época de grande enfrentamento com os índios, que já tinham sido levados a viver nas áreas extremas da fronteira com Minas Gerais e estavam sendo dizimados e afastados cada vez mais para longe de suas terras.

A agricultura começou a surgir, com produção de gêneros de subsistência e de cana-de-açúcar, para abastecimento da cidade e das tropas.

A agricultura surgiu ligada aos caminhos e à economia de passagem. A atual cidade de Resende era o centro administrativo para os municípios de Barra Mansa, Piraí, Valença e Rio Claro.

O Caminho de São Paulo, também denominado Caminho Novo, se transformou na Estrada Real de Santa Cruz.

O caminho passava por locais onde havia pouso e troca de mulas, como o Campo dos Afonsos, a Fazenda dos Jesuítas e a Freguesia de Santa Cruz. Atravessava o Rio Guandu e Itaguaí, ia depois em direção à serra, Pouso Frio, Ribeirão das Lages, Pouso do Vigário, no Rio Pirai, e Guarda do Coutinho. Até a divisa da Capitania de São Paulo, atravessando grandes florestas e chegando a Guaratinguetá.

Às margens desse caminho foram se formando os povoados de Resende, São Paulo e São João Marcos, no lado fluminense.

Esse foi o chamado Itinerário da Independência, percorrido por D. Pedro I, em 1822.

A Coroa Portuguesa incentivava, através da doação de terras, no regime de Sesmarias, a ocupação, e isso fazia com que colonos se embrenhassem por lugares tão distantes e com tanta dificuldade de acesso. O candidato a doação tinha que provar possuir condições econômicas para cultivar a terra.

A Fundação de São João Marcos ocorreu em 1733, com a instalação de uma fazenda de um colono português. Este português mandou construir, em 1739, uma capela a seu santo de devoção: São João Marcos. O povoado se tornou Freguesia em 1755, apesar de ser composto por núcleos isolados de população. A cidade se emancipou em 1804, depois de grande esforço da população para se desvincular de Resende, que não aceitava essa separação.

A fazenda de Olaria, hoje em ruínas sob a represa de Ribeirão das Lages, foi uma das mais importantes fazendas da época. Foi comprada pelo Comendador Breves, o rei do café, que chegou a possuir 30 fazendas na região.

A ocupação de Rio Claro não tem data precisa. A localização aparece em 1846, com o caminho de São João Marcos a Pouso Seco.

A chegada, no séc. XVIII, da família Portuguesa com seus colonos marca o início de Rio Claro e Lídice. Lídice era conhecida como Santo Antônio de Capivary. A agricultura foi incentivada no início do séc. XVIII, devido à queda na atividade de mineração.

Com a chegada da família real ao Brasil foram tomadas medidas liberalizantes para o comércio, tanto interno como externo. Havia a necessidade de abastecimento da corte, e da ocupação ordenada da terra. Em São João Marcos houve o reforço de várias culturas, começando pelo açúcar, mas incluindo também arroz, anil e fibras vegetais. No seu entorno, vários povoamentos começaram a se desenvolver.

O café passou da forma de produção doméstica, que havia começado por volta de 1760, para em 1835 já estar sendo exportado em grande escala. O café, na sua primeira fase, foi plantado inicialmente na província do Rio de Janeiro e em Resende, Vassouras, Barra Mansa, São João Marcos e Passa Três. Essa produção foi se deslocando para o Vale do Paraíba, só chegando em 1860 para os lados de Cantagalo e Paraíba do Sul.

A produção de café se estruturou utilizando grandes extensões de terra e trabalho escravo. O cafeicultor, além de obter por mão forte grandes extensões de terra, tinha outros investimentos a fazer, como a derrubada das matas, o preparo da terra, o plantio, as instalações e a compra de escravos. Sobre o início das plantações em S. João Marcos há alguma discordância entre os historiadores, mas já em 1822 havia plantações de café na cidade. De 1840 a 1889 a cidade comportava 153 produtores de café, com média anual de 2.500 arrobas.50% desse total estavam na mão de 5 produtores, sendo que os quatro maiores exportadores eram o Comendador Breves: 150 mil arrobas; José Joaquim de Souza Breves: 100 mil arrobas; o Barão de Pirai: 14 mil arrobas; e o Barão de Rio Claro: 10 mil arrobas.

A produção cafeeira era escoada para Mangaratiba, grande centro comercial da época. Uma estrada foi construída para ligar esses dois núcleos. As fortunas conseguidas pelos Barões do café nessa região podem ser exemplificadas pela figura do grande proprietário Comendador Breves – Joaquim Breves que possuía 30 fazendas, e chegou a ter um total de 6.000 escravos. Talvez tenha sido o maior escravista do Século XIX. Durante o Iº Reinado, tornou-se membro da Guarda Nacional e adquiriu o título de Comendador da Ordem da Rosa. Suas fazendas possuíam estrutura para beneficiamento parcial do café. Algumas tinham moinhos, serrarias, engenhos de açúcar, capelas, estradas e pontes próprias, hospedarias, etc. Suas terras se estendiam pelos municípios de Mangaratiba, Resende, Barra Mansa e Rio Claro. Em São Paulo, Bananal e Areias. Nessa época, podia-se ir do oceano a Minas Gerais sem sair das terras do Comendador Breves. O Comendador, para poder acompanhar o crescimento das plantações e o aumento de trabalho, tornou-se contrabandista de negros africanos. Tinha ligações permanentes com os maiores traficantes de escravos. Mesmo depois da proibição do tráfico negreiro, o Comendador ainda continuou trazendo navios com escravos, escapando do controle britânico e brasileiro.

Britânicos e portugueses haviam feito um tratado restringindo o tráfico escravo. Os portugueses não tinham escravos em Portugal, mas tinham em suas colônias. O Comendador tinha um entreposto na sua Fazenda de Marambaia, em Mangaratiba, para onde eram trazidos os escravos, para restabelecimento de suas forças. Depois de refeitos, eram colocados nas fazendas do alto da serra. O Comendador também teve sua influência na política, exercendo diversos mandatos em São João do Príncipe. Sua influência e poder eram maiores no período de D. Pedro I. Na regência, passou a opositor, já que este governo restringia sua autonomia, além de aumentar os impostos. Era também bastante atacado, pelo contrabando dos escravos.

A riqueza do Comendador era baseada no café e em sua estrutura de escravos, terras e plantações. Não acreditava que a abolição dos escravos pudesse acontecer. Dias antes da abolição, ainda comprou escravos.

Sua fazenda da Grama foi construída com o maior luxo, como muitas outras de fazendeiros locais. Nos domínios do Comendador não se pensou em trazer colonos de outros países. Com a abolição, as fazendas se despovoaram e os escravos saíram em massa para tentar a sorte em outro lugar. O Comendador morreu em 1889, e sua herança trouxe muitas complicações para a família. As terras foram vendidas e as plantações abandonadas, pelos herdeiros. Cidades como Rio Claro e São João Marcos sofreram grande queda na sua economia, e esvaziamento, devido ao êxodo rural que ocorreu logo após a Abolição.

Já a partir de 1850 muita coisa estava mudando no Vale do Paraíba e arredores. A Lei das Terras, que a partir dessa época só seriam adquiridas através de compra, acessível, então, a qualquer pessoa que tivesse capital, não sendo mais de domínio real. Já a decadência econômica que atingiu a região no final do século tinha a ver com a abolição, com a queda de preços do café no mercado internacional e com os problemas relativos ao esgotamento do solo, que cada vez produzia menos. Assim, o Noroeste Fluminense substituiu o Vale do Paraíba na produção do café. A região passou a viver de pecuária e horticultura. Rio Claro tornou-se, com o tempo, independente de São João Marcos. E a partir de 1830 passou a Curato, e seu centro era onde se localiza hoje o Bairro da Vila Velha.

A cidade se expandiu e modernizações urbanas foram efetuadas, uma das quais foi a transferência da matriz, que começou a ser construída em 1851 e foi terminada em 1880. Em 1849 Rio Claro ganhou o status de Vila, fazendo parte da Comarca de Resende. Seu território compreendia também Santo Antônio de Capivary. No final de década de 1850, começou uma crise no município, que se agravou por causa da diminuição da produção de café: dificuldades com a obtenção da mão-de-obra, o problema da praga nos cafezais e a da formiga saúva. Com a proximidade da abolição, a região começou a perder a importância econômica, havendo um declínio considerável na produção de café.

Logo após a Proclamação da República, Rio Claro voltou a ser domínio de São João Marcos, e Santo Antônio de Capivary, de Angra dos Reis. Essa lei não durou nem um mês e a autonomia de Rio Claro foi restituída. O município atravessou toda a República Velha em grave situação econômico-financeira, assim como vários outros municípios do Estado. O Governo começou então a tentar soluções para substituição da monocultura cafeeira. Em 1890, o Estado implementou algumas medidas que nortearam a economia fluminense na direção da policultura. Na década de 30, o quadro ainda não era estável e foi agravado pela crise de 1929, que abalou a economia do mundo capitalista.

Já em 1943 registrava-se, através de relatório municipal, um relativo crescimento econômico, mesmo com a retração provocada pela 2ª Guerra Mundial.

O município contava com uma infra-estrutura bastante limitada. Sua modernização com estrada, iluminação e saneamento veio acontecendo, até os dias de hoje, num ritmo lento, mas hoje conta com boas escolas, hospitais e uma rede razoável de estradas internas.