A literatura ganhou espaço, voz e novos leitores em Rio Claro durante a 8ª Feira Literária de Rio Claro (FLIRC). Encerrada neste sábado, 15, a programação reuniu escritores de diferentes partes do país, lançamentos de livros, rodas de conversa e atividades voltadas ao público infantil, além da participação no primeiro dia, na sexta-feira, da escritora Thalita Rebouças. Cerca de cinco mil pessoas passaram pela feira nos dois dias de evento.
Com o tema “Literatura, Memória e Pertencimento”, a feira transformou o encontro com os livros em uma oportunidade de conhecer histórias, valorizar autores e olhar para a própria história do município.
Um dos momentos de destaque do sábado foi o lançamento de “Varela e a Magia das Palavras”, escrito por Teresinha da Rocha Pereira e Edilson dos Santos, com prefácio do escritor Júlio Emílio Braz, conhecido pela trajetória na literatura infantojuvenil e vencedor do Prêmio Jabuti.






Para Braz, participar do projeto é também uma forma de incentivar novos escritores e contribuir para a formação de leitores. “Faço de coração aberto. Estamos sempre investindo em novos autores. O que eu puder fazer para incentivar outras pessoas a se tornarem autores, eu farei. É um prazer, não uma obrigação”, afirmou.
O escritor também destacou que, para despertar o interesse das crianças pela leitura, é preciso compreender o universo infantil e estar próximo dele. Segundo ele, o contato com estudantes, especialmente nas escolas, ajuda a entender aquilo que desperta curiosidade e encantamento nos jovens leitores. “Para escrever para criança, você precisa ter um dedinho, que seja o mindinho, no universo infantil. É preciso pensar: o que fará uma criança abrir esse livro? O que vai motivá-la a ler?”, explicou.
FAGUNDES VARELA PARA UMA NOVA GERAÇÃO
A obra lançada durante a FLIRC apresenta a trajetória de Fagundes Varela, poeta que nasceu em Rio Claro, sob uma perspectiva voltada ao público infantil. Teresinha da Rocha Pereira, que pesquisa a vida e a obra do escritor há anos, explicou que a ideia nasceu da necessidade de aproximar o poeta das novas gerações. “Era preciso criar uma proximidade do Varela com o público infantil. Mostrar o crescimento dele desde pequeno, a alfabetização, o conhecimento com a leitura e como ele se descobre poeta ajuda nossas crianças a se identificarem com o poeta”, contou.
Para a autora, a intenção é fazer com que as crianças de Rio Claro encontrem na história de Varela algo de si mesmas, especialmente aquelas que se sentem diferentes. “Espero que cada criança de Rio Claro se identifique com o Varelinha. Quando começamos a falar dele desde pequeno, não era o poeta, mas sim apenas uma criança. E ele pode ser qualquer uma hoje. Principalmente aquela que se sente diferente. No livro, colocamos Varela se sentindo diferente. Ele gosta de arte, literatura e de escrever. Ele transformava as palavras em magia”, afirmou.
O lançamento trouxe para dentro da feira a memória de um personagem que faz parte da história de Rio Claro e ajudou a transformar o passado do município em uma história capaz de chegar às crianças de hoje.
OUTROS ENCONTROS
A programação de sábado também contou com bate-papos com escritores. Christiano Pereira do Amaral apresentou ao público a obra Valei-nos, São José, enquanto Henrique Carvalho participou de um encontro sobre o livro Juntando as Peças.
Outro momento foi a roda de conversa “Literatura, pertencimento e representatividade: caminhos da educação para as relações étnico-raciais”, que reuniu Mônica Melanie Alves Viana de Moraes, Alessandra Romualdo e Tábata Souza para discutir a presença da literatura na formação e na construção da identidade.
A feira também abriu espaço para escritores de outras cidades. Entre eles esteve Luciana Nunes, de Niterói, que levou para Rio Claro a obra Dandara e Katuá, apresentada pela primeira vez no município. “Estou amando o acolhimento e a receptividade que estou encontrando nesse lugar”, disse a autora.
Ao todo, a FLIRC recebeu 115 inscrições de autores independentes, dos quais 70 foram selecionados para participar. Além de escritores do Sul Fluminense, a feira contou com participantes de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Sorocaba, Brasília, Minas Gerais e Paraty.
ESPAÇO PARA CRIANÇAS
E se a literatura foi o centro da FLIRC, as crianças também ganharam um espaço pensado especialmente para elas. A FLIRCZINHA levou contação de histórias, recreação, jogos, atividades com escultura de balões e outras ações que aproximaram os pequenos dos livros de maneira lúdica e divertida.
A programação literária dividiu espaço com o Festival Sabores do Vale do Café, ampliando as atrações para moradores e visitantes durante o fim de semana e encerrando a edição com uma mistura de histórias, cultura e sabores.




