CAAIA completa dois meses com 150 crianças e adolescentes em acompanhamento em Rio Claro

Dois meses após ser inaugurado, o Centro de Atendimento Ampliado da Infância e Adolescência (CAAIA) de Rio Claro já acompanha cerca de 150 crianças e adolescentes. Desde a abertura, em 19 de junho, 59 novos usuários foram acolhidos e outros 44 já estão agendados para setembro. Atualmente, o serviço realiza aproximadamente 50 atendimentos por dia, reunindo profissionais de diferentes áreas em um mesmo espaço.
A proposta do CAAIA é justamente evitar que o atendimento de crianças e adolescentes aconteça de forma fragmentada. O centro reúne atualmente neuropsiquiatra, neurologista infantil, psiquiatra infantil, psicopedagoga, neuropsicopedagoga, neuropsicóloga, psicóloga, fonoaudióloga, assistente social, enfermeira, terapeuta artístico e fisioterapeuta. Recentemente, a equipe também passou a contar com uma nutróloga e está em processo de contratação de terapeuta ocupacional.
De acordo com a coordenadora do CAAIA, Isabella Costa de Resende, um dos principais avanços nesses primeiros meses é justamente a possibilidade de os profissionais discutirem os casos em conjunto. “O principal resultado é a interlocução entre os profissionais. Hoje, se eu preciso de uma avaliação específica, consigo discutir o caso e ter esse olhar de uma equipe interdisciplinar naquela criança ou adolescente”, contou.
O atendimento pode ser procurado tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamento. Não é obrigatório que a criança ou o adolescente seja encaminhado pela rede municipal de saúde.
ATENDIMENTO SINGULAR
Os acolhimentos são realizados por uma equipe multidisciplinar ao longo de quatro encontros durante um mês. Para setembro, 44 crianças já estão agendadas. Segundo a coordenação, depois desse período não há, atualmente, uma lista de espera para novos acolhimentos.
As maiores demandas recebidas estão relacionadas a avaliações com neurologista e fonoaudióloga, além de situações envolvendo alterações de comportamento no ambiente escolar e dificuldades de aprendizagem. O CAAIA também atende casos em investigação, inclusive de possíveis transtornos do neurodesenvolvimento, além de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico.
A equipe utiliza o Projeto Terapêutico Singular (PTS) para definir, de forma individualizada, quais atendimentos e terapias são necessários em cada caso. “Cada caso é avaliado e discutido pela equipe multidisciplinar para entender quais terapias são necessárias naquele momento, pensando justamente na logística e no cuidado singular dessa criança e adolescente”, explicou Isabella.
A secretária de Saúde, a vice-prefeita Guta Monteiro, destacou que criação do centro representa o resultado de um processo de construção da rede de atendimento infantojuvenil no município. “O CAAIA é muito importante para todos nós e para a dignidade de cada criança, adolescente e de sua família. É um compromisso com todas as famílias de Rio Claro. Nosso principal objetivo era que todos estivessem no mesmo espaço, sendo atendidos por uma equipe multiprofissional da área da saúde, visando a reabilitação e o desenvolvimento infantil. E ver isso em funcionamento nos emociona porque os resultados estão aparecendo e todos trabalhando de forma integrada”, aponta, lembrando que o CAAIA recebeu o nome de Dr. Emanuel Ribeiro Romeiro da Rocha, homenageado por sua trajetória na área da saúde mental em Rio Claro
PRÓXIMOS PASSOS
Depois dos primeiros meses de funcionamento, a equipe pretende ampliar o trabalho para além dos atendimentos individuais e em grupos. Entre os próximos passos estão ações de matriciamento e cuidado compartilhado, buscando integrar as crianças e adolescentes a outras atividades que contribuam para o desenvolvimento.
Para Isabella, o desafio é garantir que o acompanhamento considere diferentes aspectos da vida de cada paciente. “Hoje estamos trabalhando para que as crianças e adolescentes possam ser acompanhadas em sua integralidade. Os próximos passos são realizar, além do acompanhamento que já vem sendo feito, ações de matriciamento e cuidado compartilhado, porque essa criança e esse adolescente precisam também estar inseridos em outras atividades que vão contribuir para o pleno desenvolvimento”, contou a coordenadora.